CONHEÇA A HISTÓRIA DE TETÉIA (AMARO)

CONHEÇA A HISTÓRIA DE TETÉIA (AMARO)
Quem em Nova Era não conhece esta frase estranha, "papai quer morrer" ou "Danada" ou ainda "Ah se eu te pego!" e "Teteia" gritadas no meio da rua por um cambista, vendedor de loterias ? Elas são dirigidas às mulheres bonitas ou feias e também aos homens. Tudo no maior respeito, não ofende ou agride a ninguém. O cambista sempre recebe de volta um sorriso de compreensão e carinho, quase que um agradecimento por uma homenagem. Além da clientela ele conquistou a amizade e admiração de todos com quem convive aqui em Nova Era.

Mas quem é essa pessoa, que descontraída brinca com todos ? Seu nome é Amaro Cândido Ferreira "Teteia", vendedor de loterias, que todos os dias está na Rua Gov.Valadares, no centro de Nova Era. Caminhando com dificuldade e usando uma bengala, ele vai vendendo esperança, distribuindo alegria e a cada dia conquistando mais amigos e admiradores. Tem 68 anos, é natural de João Monlevade e reside em Bela Vista de Minas. Nunca se casou, é arrimo de família, vivendo com um irmão e duas irmãs. Com seu trabalho ajuda a manter a casa. Há 23 anos ele vem todos os dias de Bela Vista para Nova Era, afim de vender suas loterias. O apelido Teteia, o recebeu por gostar de chamar as pessoas de Teteia, termo que ele considera "uma coisa muito boa, bonita e maravilhosa". Quanto à curiosa frase "Papai quer morrer" ele diz que "é uma propaganda de negócio".

Sua vida é um exemplo de luta, coragem, resignação e superação de dificuldades. Carismático e comunicativo, ao falar ao Jornal Novo Tempo, Teteia mostra duas coisas que o deixaram muito feliz: Uma carta do então prefeito Sávio Quintão, datada de 1999, que ele considera um título de cidadão honorário. Nela Sávio diz entre outras coisas que "Nova Era o adotou como filho e o ama como tal"; e uma matéria sobre ele, publicada em 2011 pela revista De Fato, de Itabira. Tanto a carta de Sávio como a reportagem, estão em quadros, que ficam pendurados na sala de sua casa.

Uma vida que mudou
Amaro, que ainda não tinha o apelido de Teteia, aos 20 anos, era um jovem bonitão, alegre e despreocupado, como são todos os jovens. Porém a fatalidade o atingiu de maneira inesperada. Em 1968, ao sair de João Monlevade para Bela Vista de Minas, dirigindo um jipe ano 1962, bateu na lateral de um caminhão. Foi um acidente grave. Ele ficou 35 dias inconsciente em hospital em Belo Horizonte e sobreviveu, mas ficou com sequelas, como o lado direito do corpo semi-paralisado, perda de audição também do lado direito, perda total da visão do olho esquerdo e perda de 25% da visão do olho direito.

O acidente aconteceu em momento que se definiria o futuro do jovem Amaro. Ele já estava com testes de futebol marcados no América, de Belo Horizonte. Esperava fazer carreira nessa área esportiva, sonhava ser jogador profissional. O acidente mudou toda sua vida, todos os seus planos e expectativas. Segundo ele mesmo disse ao Jornal Novo Tempo, ao despertar e constatar a realidade, tinha dois caminhos: se acomodar e ficar sentindo pena de si mesmo ou reagir e fazer o melhor possível com o que o destino lhe reservou.

Aos 22 anos devido à sua condição após o acidente e danos físicos que persistem até hoje, ele foi aposentado. Desde então ele escolheu o caminho da alegria, para si e para todos que com ele convivem. É querido e admirado , especialmente pelas crianças. É um ser humano que traz uma aura de energia positiva e ter contato com ele significa que aquele dia com certeza será um bom dia. Convidado a deixar uma mensagem para os leitores, ao final desta matéria Teteia afirmou: "Quero dizer a todos que adoro o povo de Nova Era".

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Texto e fotos: Valdeci Justino de Oliveira e foto especial de Moriá Benevides